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Por que o povo não está nas ruas? As 5 razões

Depois de meses de uma tragédia anunciada, eis que o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O ministro primeiro decretou a prisão preventiva de Bolsonaro para, na sequência, liquidar o direito do ex-presidente a recursos ainda cabíveis e, então, determinar o cumprimento definitivo da pena.

Além de Bolsonaro, sofrem nas mãos do STF e de outros órgãos do aparato repressivo estatal os réus do 8 de Janeiro, deputados e senadores da direita conservadora — cada vez mais tolhidos e perseguidos por suas opiniões ou por exercerem sua liberdade de expressão, inclusive em plena tribuna do Senado ou da Câmara dos Deputados —, agentes da lei que atuaram na operação Lava Jato e qualquer um que ouse criticar os incriticáveis e infalíveis togados do Supremo.

Dito isso, por que o povo não está nas ruas? A indignação popular, tão presente nas redes sociais, não deveria se traduzir em manifestações, passeatas e protestos? Os milhões de brasileiros que assistem, leem, curtem, comentam, compartilham e engajam com conteúdos da direita nas redes não deveriam estar lotando as ruas do país, pedindo o fim do regime de abusos de Moraes no STF, o impeachment e a responsabilização de ministros, a redução dos poderes imperiais da Corte e a proteção das nossas liberdades fundamentais?

Tenho visto muitos comentários de pessoas exaustas e cansadas de “blablablá”, que esperam e querem ações concretas para além de discursos… Então, por que o povo não está nas ruas? Vou apresentar a você cinco hipóteses e você me diz as suas nos comentários.

A primeira é a percepção de que não houve resultado concreto nas manifestações anteriores convocadas por Bolsonaro ou seus aliados — seja na Avenida Paulista, em Copacabana ou em outras cidades do país. A última delas, aliás, no Rio de Janeiro, serviu de desculpa para Moraes decretar a prisão domiciliar de Bolsonaro, após ele fazer uma ligação telefônica com saudações aos manifestantes.

A segunda hipótese, complementar à primeira, é o medo das pessoas de se tornarem os próximos alvos da perseguição de Moraes, como aconteceu com os réus do 8 de Janeiro. Até senhorinhas que rezavam e tentaram impedir a arruaça foram condenadas junto com quem de fato cometeu vandalismo, o que configura crime de dano. A vigília de oração convocada por Flávio Bolsonaro se tornou motivo para prender seu pai, sendo qualificada como “golpista” por Moraes.

Mas não são só os réus do 8 de Janeiro: caminhoneiros que protestaram nas estradas após a eleição de Lula estão sendo processados pelo Ministério Público Federal (MPF) por danos morais coletivos, por terem paralisado vias em todo o país. Influenciadores estão exilados, com ordens de prisão e bloqueios patrimoniais. Deputados — que deveriam ter proteção na defesa dos ideais de seus eleitores — não podem sequer falar o que pensam, nem na tribuna, muito menos fazer denúncias dos abusos. Tornaram-se alvos de investigações e processos no Supremo, assim como de pedidos de cassação na Justiça Eleitoral.

A terceira hipótese é que os políticos, especialmente deputados e senadores, já não têm o mesmo medo das manifestações populares que tinham em 2013, por exemplo, quando as jornadas de junho forçaram o Congresso e a então presidente Dilma Rousseff a aprovar um conjunto de medidas anticorrupção que depois possibilitaram o alvorecer da operação Lava Jato.

A força das redes sociais era uma surpresa; muitos temiam que a execração virtual se tornasse um banimento eleitoral, o que, na maior parte dos casos, não ocorreu. Muitos dos mesmos políticos alvos de investigações, processos e condenações estão hoje de volta ao poder — sendo Lula o exemplo mais ilustre de todos. A equação se inverteu: não são mais os políticos que têm medo do povo, mas o povo que tem medo dos políticos.

A quarta hipótese é que, sem o poder da caneta, a direita no Congresso consegue fazer muito pouco para avançar suas pautas. Muitos dos atores institucionais relevantes recusam-se a enfrentar os abusos de Moraes e do STF por medo de se tornarem, eles próprios, alvos de retaliações e perseguições. Durante as manifestações a favor da Lava Jato, contra a corrupção e pelo impeachment de Dilma em 2015 e 2016, o povo tinha quem conseguisse avançar suas pautas nas instituições, ao contrário do que ocorre hoje.

E a quinta e última hipótese talvez seja a mais cruel de todas: Moraes e o STF cozinharam o sapo desde 2019, com a abertura do inquérito das fake news, e pouco foi feito para detê-los. Assim, os abusos, desmandos, ilegalidades e violações foram se normalizando. O mal foi banalizado; a crueldade, a vingança e a perseguição tornaram-se comuns. Hoje, ninguém mais se surpreende com manchetes relatando mais uma lei violada por Moraes — violar leis virou a regra, assim como a sua impunidade.

Estamos presos nesse diagnóstico aterrorizante e apocalíptico? Acredito que não, mas essa não é uma resposta fácil. A política e a história se movem como um pêndulo — ora para um lado, ora para o outro —, e não há mal que dure para sempre. Todas as coisas da nossa vida material são transitórias e impermanentes. Moraes e essa configuração pavorosa do STF também passarão. O que importa, agora, é que a direita continue trabalhando, sem esmorecer, sem desistir, por mais cansados que estejamos.

Precisamos encontrar uma saída, dentro da democracia, com trabalho, perseverança e estratégia, para o horror que estamos vivendo. E 2026 nos apresenta uma grande janela de oportunidade para essa mudança.

Matéria: Gazeta do Povo

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Gabriel de Melo

Criador, fundador e locutor da Rádio Esperança e também do Blog Palavra de Esperança, tem como objetivo divulgar o evangelho de Cristo par outras pessoas através da Internet por meio dos louvores e da palavra de Deus nas mídias sociais.

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