João Rodrigues renuncia para concorrer ao governo de SC

O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), confirmou que deixará o comando do Executivo municipal no dia 23 de março de 2026. A data sinaliza o início da pré-campanha eleitoral de Rodrigues ao governo de Santa Catarina — a legislação eleitoral exige descompatibilização do cargo seis meses antes do pleito.
“Não tem mais volta. Nós temos um projeto para Santa Catarina que está mobilizando milhares de pessoas. Todo o dia recebemos apoio”, disse Rodrigues durante encontro da sigla em São José, em dezembro de 2025.
Na ocasião, o pré-candidato recebeu apoio do presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Júlio Garcia (PSD), e do presidente estadual do partido, Eron Giordani, que afirmou não haver dúvidas sobre a escolha para a disputa estadual em 2026. No entanto, há prefeitos do partido que mantêm forte apoio à gestão estadual atual, de Jorginho Mello (PL).
É o caso de Topázio Neto (PSD), prefeito da capital do estado, Florianópolis, e de Juliana Pavan (PSD), de Balneário Camboriú. Enquanto o atual governador aposta na força da máquina pública, incluindo obras importantes nos dois municípios do litoral, Rodrigues tenta regionalizar a vitrine de sua gestão em Chapecó — cidade que detém uma fatia mínima do eleitorado total do estado, de menos de 5% — focando em pautas de ordem urbana e eficiência administrativa.
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O desafio das urnas: o que dizem as pesquisas
O prefeito de Chapecó entra na disputa como alternativa no espectro da direita, mas terá o desafio de converter sua popularidade local em votos estaduais. Levantamentos recentes de dezembro de 2025 mostram um cenário liderado pelo atual governador, com oscilações que animam a oposição.
Na última pesquisa do instituto Real Time Big Data, Jorginho Mello liderava com índices acima de 48%, enquanto Rodrigues aparecia consolidado na segunda posição, oscilando entre 22% e 25% das intenções de voto. O levantamento mais recente, do instituto Neokemp, manteve as posições dos pré-candidatos, com o governador obtendo entre 41% e 43% das intenções de voto e o prefeito de Chapecó ficando com 20% e 24%.
A leitura de Rodrigues é de que existe um “teto de vidro” para o atual governador e espaço para crescimento à medida que a campanha ganhe as ruas e o eleitorado do litoral conheça mais o candidato do oeste catarinense.
Metodologia das pesquisas citadas
- Real Time Big Data: 1.200 entrevistados em Santa Catarina entre os dias 2 e 3 de dezembro de 2025. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais.
- Neokemp: 1.200 catarinenses a partir dos 16 anos entrevistados em 95 cidades do estado entre os dias 22 e 23 de dezembro de 2025. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
“Choque de gestão” como plataforma
Em entrevista concedida à Gazeta do Povo em setembro de 2025, João Rodrigues enfatizou que a estratégia que deve ser adotada nas eleições 2026 não será o embate ideológico puro — terreno onde disputa o mesmo eleitor de Mello —, e sim a capacidade de entrega. O prefeito pretende vender o “modelo Chapecó” como um produto de exportação para o estado.
Entre os méritos que pretende destacar estão a desburocratização radical (com emissão de alvarás em até 30 dias) e um pacote robusto de obras viárias. No entanto, é na segurança e na ordem pública que ele aposta suas fichas mais polêmicas e populares. Rodrigues defende enfaticamente o programa de internação involuntária para dependentes químicos, bandeira que utilizou para promover uma espécie de “limpeza” nas ruas de Chapecó e que pretende expandir para o âmbito estadual.
O tom crítico à atual gestão estadual reside na articulação política. Rodrigues tem subido o tom ao classificar o governo de Jorginho Mello como focado na “cooptação” de prefeitos por meio de transferências financeiras diretas, em detrimento de obras estruturantes de longo prazo. Para o prefeito de Chapecó, Santa Catarina precisa menos de articulação de gabinete e mais de um “síndico” com pulso firme — imagem que ele trabalhará exaustivamente até outubro.
Transição sem rupturas em Chapecó
A anunciada saída de João Rodrigues do cargo de prefeito foi desenhada de olho na manutenção da estabilidade política em seu reduto eleitoral. A transmissão do cargo será automática para o vice-prefeito, Valmor Scolari (PSD), aliado que pretende seguir com o ritmo das entregas em infraestrutura e saúde, sustentando a aprovação popular local e de modo a evitar surpresas durante a campanha estadual.
Caso Scolari precise se ausentar, o comando da prefeitura de Chapecó passará ao presidente da Câmara de Vereadores, cargo que em 2026 será ocupado pelo vereador Adão Teodoro, também do PSD.
Matéria: Gazeta do Povo






