Guinada de Ciro Gomes mexe no tabuleiro ao governo do Ceará

O retorno de Ciro Gomes (PSDB) ao ninho tucano levou o ex-governador cearense para o lado direito do tabuleiro político nas eleições de 2026. Mais do que a migração de Ciro do PDT para o PSDB, a articulação política em torno da pré-candidatura dele ao governo do Ceará, apoiada por antigos desafetos, como Capitão Wagner (União Brasil), passou a ameaçar a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).
Ciro Gomes se tornou o principal opositor ao projeto petista no Ceará e deve polarizar a disputa com o atual governador. Segundo levantamento do instituto Real Big Time divulgado nesta semana, Freitas tem 41% de intenção de votos contra 38% da preferência do eleitorado por Gomes, no cenário estimulado de primeiro turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, ou seja, o cenário é de empate técnico entre os dois. O terceiro colocado é o senador Eduardo Girão (Novo), que soma 15%.
Aliado do governador, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), pode deixar a pasta para coordenar a campanha pela reeleição de Freitas a pedido do presidente Lula (PT). A articulação da oposição em torno de Ciro Gomes acendeu o alerta petista, que teme perder o estado que compõe a região em que o partido possui mais votos.
Questionado pela Gazeta do Povo, Santana não confirmou a saída do Ministério da Educação (MEC), mas disse que o assunto está sendo tratado no núcleo petista. “Eu ainda vou conversar com o presidente Lula. Caso haja essa decisão, a equipe [do MEC] tem toda a condição de dar continuidade ao trabalho”, disse Santana, ex-governador cearense.
A guinada de Ciro Gomes ainda pode colocá-lo em lado oposto do irmão Cid Gomes, que é senador pelo PSB, aliado de Lula. Os irmãos Gomes romperam politicamente antes da disputa eleitoral de 2024, quando apoiaram diferentes candidatos na eleição pela prefeitura de Fortaleza.
- Metodologia: A pesquisa Real Big Time ouviu 2.000 pessoas entre os dias 2 e 3 de fevereiro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa para presidente da República foi contratada pela Record. Registro no TSE nº CE-07935/2026.
PL recua em aliança com Ciro Gomes após apoio de Michelle Bolsonaro a pré-candidato do Novo
Além da disputa polarizada por Ciro Gomes e pelo governador petista, o senador Eduardo Girão (Novo) entrou na corrida eleitoral como a terceira via que busca atrair, principalmente, os votos antipetistas e dos eleitores da direita e da centro-direita.
O pré-candidato tucano conseguiu o apoio do ex-deputado federal Capitão Wagner, que defende a bandeira da segurança pública, mas o apoio da direita cearense esbarrou na influência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que defendeu a pré-candidatura de Girão e declarou apoio ao senador do Novo.
Antes disso, o presidente estadual do PL, o deputado federal André Fernandes, participou da filiação de Ciro Gomes ao PSDB e declarou apoio ao tucano como principal opositor à reeleição do governador petista. Após Michelle se manifestar em favor da pré-candidatura de Girão e criticar Gomes por opiniões passadas sobre o ex-presidente Bolsonaro, o PL recuou da aliança encaminhada com PSDB, apesar do apoio público do cacique Valdemar Costa Neto (PL).
Logo após o episódio, uma reunião foi convocada pela cúpula nacional com a presença de Flávio Bolsonaro, Costa Neto, Michelle, André Fernandes e o senador Rogério Marinho. Segundo a nota divulgada pelo partido, em dezembro, o apoio ao pré-candidato do PSDB foi suspenso e o PL deve analisar o quadro eleitoral cearense após a apresentação de alternativas pelo presidente estadual da sigla.
“André Fernandes continua encarregado de buscar uma alternativa viável, que respeite os valores e princípios ligados à direita conservadora e que aumente as chances de derrotar o projeto da esquerda no estado, capaz de restabelecer a segurança, a ordem e o bem-estar dos cidadãos no Ceará”, informou o PL.
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Ciro Gomes articula chapa com senadores de União e PL
Neste início de ano, Ciro Gomes falou pela primeira vez como pré-candidato e destacou a necessidade de melhorias na segurança pública, ao lado do novo aliado Capitão Wagner. O tema deve ser um dos mais debatidos na eleição ao governo do Ceará, considerado um dos estados mais violentos do país.
Capitão Wagner informou que deve concorrer ao Senado com apoio de Ciro Gomes, que espera o retorno do PL para fechar a chapa. A segunda vaga ao Senado pode ser ocupada pelo deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai do presidente estadual do partido. Em 2026, cada estado vai eleger dois senadores.
“Você deve ver uma chapa comigo, com o Capitão Wagner, com Roberto Cláudio [ex-prefeito de Fortaleza do União Brasil], para compor as chapas majoritárias. Temos a outra vaga de senador, para compor com outros aliados, porque o que interessa para nós não é politicagem, é enfrentar a violência impune que tomou conta da política”, disse Ciro Gomes.
Pré-candidatos ao governo do Ceará nas eleições de 2026
Ciro Gomes
Ex-ministro dos presidentes Itamar Franco e Lula, Ciro Gomes foi candidato a presidente nas últimas eleições pelo PDT com fortes críticas contra o governo Bolsonaro e o PT.

Elmano de Freitas
Ex-deputado estadual, o atual governador Elmano de Freitas buscará a reeleição depois de suceder Camilo Santana na gestão do estado do Ceará.

Eduardo Girão
Em 2018, Eduardo Girão foi eleito senador. Disputou a eleição à prefeitura de Fortaleza em 2024. O Novo lançou a pré-candidatura oficialmente no dia 30 de janeiro.

Jarir Pereira
Professor da rede pública de educação, Jarir Pereira é pré-candidato ao governo do Ceará pelo PSOL.

Matéria: Gazeta do Povo






