Comércio e serviços concentram 85,7% das novas vagas em SC

Santa Catarina encerrou o ano de 2025 com a criação de 59.184 postos de trabalho formais, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados no último dia 29. O resultado coloca o estado na sétima posição nacional em geração de empregos no acumulado do ano, embora registre uma redução de 44% na comparação com o saldo de 2024.
O setor terciário, que compreende comércio e serviços, foi o principal responsável pela abertura de vagas de emprego, respondendo por 85,7% do total gerado no estado. Juntos, os dois setores somaram 50.733 novos postos de trabalho em 2025. O setor de serviços liderou com 38,7 mil vagas, seguido pelo comércio, com 12 mil.
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio-SC), Hélio Dagnoni, considera que fatores como os juros elevados influenciaram a desaceleração nas contratações. “Como se diz popularmente, o custo do dinheiro estava mais caro no ano passado. Isso impacta os empresários, principalmente no momento de investir e contratar mais funcionários. Esse cenário ajuda a explicar a queda em relação a 2024″, comentou.
De acordo com a Fecomércio-SC, o mês de dezembro apresentou saldo negativo na geração de empregos. Em Santa Catarina, foram fechadas pouco mais de 47 mil vagas, mas o estado permanece com taxa de desemprego em torno dos 2%.
“Quanto mais baixa a taxa de desemprego, mais difícil se torna contratar. É a lei do mercado”, disse Dagnoni. No Brasil, 2025 terminou com saldo positivo de 1,28 milhão de novos empregos, o menor resultado desde 2020.
Emprego industrial foi afetado por fatores externos, aponta Fiesc
Diante dos números de emprego de 2025, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) avalia que há uma desaceleração da economia no estado. Em relação a 2024, Santa Catarina foi um dos estados que registrou o menor crescimento (2,3%), deixando-o na 23ª posição entre os que mais criaram postos.
Na indústria, o segmento de alimentos e bebidas liderou a criação de oportunidades, com 3,8 mil vagas, segundo dados do Observatório Fiesc. A construção civil apresentou o segundo maior saldo de vagas, com 3,7 mil, seguida pelo setor de máquinas e equipamentos, que gerou 2,8 mil postos, com influência da recuperação da economia argentina e de incentivos fiscais, como a depreciação acelerada.
O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, concorda que a manutenção de taxas de juros elevadas tem reduzido a atividade econômica e o consumo, afetando diretamente o ritmo da indústria. “A indústria acaba sendo o setor em que essa perda de ritmo é mais visível. O emprego industrial de Santa Catarina também foi afetado por questões externas, como o tarifaço [dos EUA], que teve impacto negativo no saldo de empregos em setores como madeira e móveis, que encerraram o ano com perda de 2,8 mil vagas”, completou.
O setor têxtil, de confecção, couro e calçados também apresentou redução, de acordo com a entidade, com o fechamento de 1,7 mil postos. Em relação a dezembro de 2025, a indústria foi o setor com maior retração no último mês do ano, com a eliminação de 27,1 mil vagas, seguida pelos serviços (-15 mil), comércio (-3,8 mil) e agropecuária (-2 mil).
Matéria: Gazeta do Povo





