Energia elétrica no Brasil exige planejamento, alerta engenheiro

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) classificou como “extremamente perigosa” a atual situação do sistema elétrico brasileiro. O alerta foi feito pelo diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, ao destacar os riscos crescentes de desequilíbrio entre geração e consumo de energia. O momento de maior risco é o fim da tarde, quando a produção solar cai abruptamente e aumenta a demanda nas hidrelétricas.
O Risco da “Rampa de Carga” e a falta de planejamento
Feitosa detalhou que a chamada “rampa de carga” a variação rápida entre demanda e geração deve subir dos atuais 40 gigawatts (GW) para 53 GW até 2028, um aumento de 33% no risco de desequilíbrio. A principal causa seria o avanço da geração solar intermitente sem a correspondente ampliação das linhas de transmissão e de novas fontes permanentes, como hidrelétricas e termelétricas. O diretor alertou que este momento de “rampa” representa perigosa vulnerabilidade para o sistema.
Para o engenheiro eletricista Ivo Pugnaloni, presidente da Enercons, ex-diretor do grupo COPEL e da ABRAPCH, o alerta da ANEEL deve ser tratado com máxima prioridade. Pugnaloni afirma que o país vive um “apagão do planejamento”, trocando a estratégia de longo prazo pelo improviso.
A população não faz ideia dos riscos que decorrem de alguém ter a obrigação de garantir o fornecimento seguro, eficiente e equilibrado do sistema elétrico, mas ao mesmo tempo, a proteção dos direitos dos consumidores e o desenvolvimento do mercado elétrico, que são as obrigações da ANEEL, conforme a Lei 9.427/96”
Engenheiro Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni
A crítica à “Demonização” da Hidroeletricidade
Pugnaloni critica veementemente o abandono do planejamento estratégico, que, em sua visão, levou à “demonização” do potencial hidrelétrico brasileiro, o terceiro maior do mundo. Para ele, essa omissão é a causa dos apagões cada vez mais frequentes.
O engenheiro aponta que, sem as hidrelétricas que ele chama de “baterias naturais, gratuitas e ao mesmo tempo as mais baratas geradoras” o país improvisou. “Esquecemos que sem investir em novas linhas de transmissão as energias renováveis solar e eólica não poderiam vir do Nordeste. Esquecemos que essas fontes são intermitentes,” critica Pugnaloni.
Como consequência, o Brasil se viu obrigado a multiplicar por 6 vezes a capacidade de geração das termelétricas no Sudeste para garantir a segurança do sistema. Segundo o engenheiro, essa ausência de planejamento estratégico elevou em 174% acima da inflação as tarifas para a indústria, tornando-a uma das menos competitivas do mundo.
Energia como questão de Segurança Nacional e Social
Pugnaloni defende que o setor elétrico precisa retomar o planejamento estratégico e ser considerado assunto da mais alta relevância para a Segurança Nacional, como o era até 1985. Ele é categórico ao afirmar que planejar de forma estratégica é a única forma de evitar soluções emergenciais, tomadas por motivações apenas comerciais e eleitorais, sem a transparência e qualidade técnica adequadas.
O engenheiro utiliza uma forte analogia para ilustrar a criticidade do setor: “A energia elétrica hoje é aquela parte da sociedade que mais se assemelhe ao sangue. Ela é quem garante o funcionamento dos demais órgãos do corpo. Por isso deve merecer não apenas um hemograma atualizado, mas um cuidado permanente e especializado com as fontes que alimentam sua produção e distribuição por todas as partes do sistema. Caso contrário os riscos de problemas se multiplicam e o rendimento total vai cair.”
Ele lembra que a falta de uma política energética de Estado ameaça não apenas a economia, mas a própria segurança pública, citando a possibilidade de que conflitos sociais, como os ocorridos no Rio de Janeiro, tenham consequências mais graves durante um apagão. Pugnaloni destaca que o barateamento da energia pode contribuir para que a indústria, comércio e serviços criem milhões de novos empregos com melhores salários.
Proposta: Conferência Nacional de Energia Elétrica (CNEE)
Para reverter o quadro, Pugnaloni propõe que o Ministério de Minas e Energia convoque uma Conferência Nacional de Energia Elétrica (CNEE), nos moldes das conferências nacionais de saúde e educação.
“Só uma Conferência Nacional, convocada pelo Ministro da área, na forma da Constituição poderá recolher as mais avançadas visões técnicas, ambientais e sociais para concebermos o futuro energético que queremos para o Brasil.”
Ele ressalta que a CNEE é necessária “para que a sociedade conheça mais sobre energia, para assim poder escolher dentre todos quais seriam os mais adequados recursos energéticos estratégicos de que dispomos.” Para Pugnaloni, a Conferência, convocada desde os níveis municipal e estadual, teria o papel de dar início ao empoderamento da sociedade, aproximando a população do debate técnico e permitindo que ela cobre maior transparência.
Fontes Permanentes x Fontes Intermitentes
O engenheiro critica as propostas radicais de “petróleo zero” vindas da Europa, lembrando que o Brasil precisa que seu sistema seja abastecido “o máximo possível de fontes renováveis, mas desde que equilibremos as intermitentes com as permanentes.”
O papel das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Micro Centrais Hidrelétricas (MCHs) é fundamental nesse equilíbrio, segundo Pugnaloni.
- Estabilidade Regional: “As PCHs são fundamentais. Elas produzem energia renovável, com baixo impacto ambiental, estabilidade de fornecimento e custo competitivo,” afirma.
- Desenvolvimento Social: Além disso, promovem o desenvolvimento regional, viabilizando a irrigação, a piscicultura e o abastecimento das cidades e localidades do interior, sendo “parte essencial da solução — e não um problema ambiental,” como alguns setores insistem em sugerir.
Otimismo com a mudança de rumo e transparência
Pugnaloni reconhece um sinal positivo no governo federal com a declaração do Ministro Alexandre Silveira, em agosto, sobre a retomada da indústria de hidrelétricas e o leilão de PCHs e CGHs.
Para ele, houve uma “mudança de 180 graus” no curso anterior no qual, durante 12 anos, o setor vinha sendo muito prejudicado pela falta de leilões e pela fixação arbitrária de preços-teto economicamente inviáveis.
“Só a Conferência poderá dar mais transparência e tranquilidade à sociedade em geral e ao mercado, inaugurando um clima de colaboração e não de queda de braço entre grupos de lobby, onde um queira passar por cima dos demais”, diz Pugnaloni.
Ele sugere ainda que a abertura da CNEE seja um momento para o presidente da república, em nome do Estado Brasileiro, pedir desculpas por todas as arbitrariedades cometidas contra as famílias que cederam suas terras para empreendimentos de energia, garantindo o respeito e a justa indenização aos afetados.
Oportunidade para quem tem energia firme, mas “adormecida”
O crescente interesse do mercado por fontes de energia firme, que compensem a intermitência solar a baixo custo, , indica uma mudança clara no setor elétrico brasileiro: a valorização das soluções capazes de garantir estabilidade ao sistema sem custos adicionais com armazenamento, uma vantagem que as hidrelétricas de todos os portes oferecem.
Para o engenheiro Ivo Pugnaloni, esse movimento revela uma oportunidade ainda pouco explorada por pequenos, médios e grandes investidores. E principalmente pelos proprietários rurais. “Está ficando claro que em breve vai faltar exatamente aquilo que muitos brasileiros já têm em suas propriedades — bons volumes de água capazes de gerar energia firme e sustentável por séculos , sem prazo para renovar a autorização, E sem burocracia com ANEEL para aquelas com menos do que 5 MW. que devem ser a grande maioria”.
Ele destaca que face às maiores exigências técnicas, de licenciamento ambiental e de capital que recaem sobre as grandes hidrelétricas, essa é uma grande oportunidade exclusiva para as pequenas e micro centrais hidrelétricas desempenhar um papel decisivo nesse novo cenário, pois elas trazem ao mesmo tempo geração renovável, segurança e desenvolvimento regional. E seu custo é acessível ao pequeno investidor.
A ENERCONS, como não podia deixar de ser, desenvolveu, para vários clientes, mais de 30 projetos de pequenas hidrelétricas ao longo de seus 25 anos de trabalho, todos aprovados pela ANEEL.
“Hoje, três desses projetos, totalizando 21,3 MW, localizados na região Sul, estão mais avançados em seu licenciamento ambiental para poderem participar do próximo leilão do mercado regulado.
Ou para operar no mercado livre de energia, em autoprodução para a indústrias ou ainda na autoprodução “grid zero” ou remota para Data Centers. Conheça as vantagens desses projetos para o investidor, para o sistema elétrico e para o meio ambiente clicando aqui! Conheça as vantagens da associação da geração hidrelétrica com a piscicultura e a fruticultura irrigada por gotejamento!”, eng. Ivo.
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Matéria: Gazeta do Povo





