Maduro e Cilia devem ser condenados à prisão perpétua

Nesta segunda-feira (5), ao meio-dia no horário de Nova York – 14h no horário de Brasília –, Nicolás Maduro e Cilia Flores estarão numa audiência de custódia com o juiz federal do Distrito Sul de Nova York. Os dois estão presos; Maduro está numa prisão federal no Brooklyn.
A expectativa é de que sejam condenados à prisão perpétua pela quantidade de crimes ligados ao narcotráfico. Sobrinhos de Cilia já tinham sido presos, condenados e confessaram o envolvimento dela. Ela é a cabeça do governo Maduro, o cérebro. Já foi presidente do Congresso Nacional da Venezuela, da Assembleia Nacional, já foi procuradora-geral, foi advogada do Hugo Chávez. Ela está muito envolvida.
Trump e a oposição venezuelana no pós-Maduro
O interessante é que Donald Trump parece não querer muita negociação com María Corina Machado, Prêmio Nobel da Paz, que foi afastada pela Suprema Corte venezuelana para não ser candidata – porque aí o resultado seria pior ainda para Maduro.
O resultado real, até os 80% de apuração da eleição de 28 de julho de 2024, era de 67% para o embaixador Edmundo González e cerca de 30% para Maduro. Foi aí que ele interrompeu a apuração e autoproclamou-se presidente.
Não sei por que Trump não quer muita conversa com a María Corina e quer que Marco Rubio converse, como já conversou, com a Delcy Rodríguez, que é a vice-presidente de uma eleição fraudada, não legítima. Talvez não queiram provocar alguma guerra civil na Venezuela, porque obviamente há divisão. Há uma maioria contra Maduro, a eleição mostrou, mas há pelo menos um terço de bolivarianos, apoiadores de Chávez, de Maduro e chavistas.
É isso que está acontecendo lá. Hoje vai ser um dia de muita negociação. Segundo Trump, a Delcy Rodríguez já teria conversado com Marco Rubio e dito a ele: “olha, a gente vai fazer o que vocês acharem certo”. O governo americano disse: “se não fizer o que acharem certo, a gente vai continuar agindo”.
Na ação, que foi rápida, mostrou-se que a Venezuela não tem nenhuma condição de falar em soberania, a não ser com a saliva. Porque não houve nada, não aconteceu nada. Deram uns tiros num helicóptero e não adiantou nada, o helicóptero continuou na operação. Foi tudo paralisado: Exército, Marinha e Aeronáutica. A incompetência das cabeças militares, que se tornaram ideológicas e não profissionais. Foi um zero. Para falar em soberania, tem que ter defesa nacional. Tem que poder exercer soberania, senão não existe.
A nova prisão de Filipe Martins
Queria passar para o Brasil e falar um pouco do Filipe Martins, que foi preso agora porque um coronel da reserva da Aeronáutica – talvez por vingança, porque foi demitido no início do governo Bolsonaro (ele tinha um cargo de confiança no Ministério da Educação) –, chamado Ricardo Wagner Roquetti, fez um relatório minucioso delatando.
Ele inclusive diz: “tipo de manifestação: denúncia”, delatando que alguém de nome Filipe Garcia Martins acessou seu perfil e que ele sabia que estava proibido de acessar perfil na rede social. Então, estava denunciando para o Supremo. Imaginem só. Que vergonha.
E pediu sigilo. Aí eu acho que Moraes, ou algum assessor de Moraes que deve detestar dedo-duro, anexou a mensagem dele, e todo mundo ficou sabendo do nome dele: Ricardo Wagner Roquetti.
Filipe Martins foi preso. Ele já estava em prisão domiciliar, mas aí foi para a prisão atrás das grades. Imaginem só o destino de Filipe Martins. Primeiro, ele foi investigado, processado e condenado por estar numa reunião onde ele não estava. Depois, foi preso por ter desembarcado na Flórida, onde não desembarcou. Depois, foi para a solitária por não ter querido delatar ninguém – talvez não tivesse nada para delatar.
Depois, foi recolhido na casa dele; estava de tornozeleira, mas podia sair de casa. Aí foi recolhido, confinado na casa dele, porque um outro fugiu para o Paraguai, no caso o Silvinei Vasques, da Polícia Rodoviária Federal. Foi ele que pagou. E, por fim, agora, com a delação desse coronel da reserva.
Não vou pôr nenhum adjetivo nele, não vou fazer nenhum julgamento. Mas eu fico pensando: o que o marechal do Ar Eduardo Gomes pensaria dele? O que o brigadeiro Nero Moura, meu conterrâneo de Cachoeira do Sul, que foi ministro da Aeronáutica, pensaria disso? O que meu querido amigo Délio Jardim de Mattos, tenente-brigadeiro que foi ministro da Aeronáutica, pensaria dele. Eu nem vou pensar.
Matéria: Gazeta do Povo





