Não dá para competir com cônjuge ou filho de ministro do STF

O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que um dos maiores problemas de quem advoga em Brasília é competir com escritórios de parentes de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do STJ (Superior Tribunal de Justiça). As declarações foram feitas em entrevista à TV GGN durante entrevista ao vivo em 26 de dezembro de 2025.
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Não deve ser fácil mesmo competir com esses escritórios. A trajetória do advogado Rodrigo Fux nos tribunais superiores, por exemplo, sofreu uma guinada após março de 2011, quando seu pai, Luiz Fux, tomou posse no STF. Desde então, o volume de processos sob sua responsabilidade saltou de cinco para 544 no STF e no STJ. Levantamento, realizado pelo Estadão, revela que 99% das ações de Rodrigo Fux no STF e no STJ foram protocoladas somente após a ascensão do pai à Suprema Corte.
Parentes de primeiro grau de oito dos dez atuais ministros do STF tiveram um salto na atuação em tribunais superiores após a ascensão de seus familiares à cúpula do Judiciário. Levantamento realizado pelo Estadão mostra que 70% dos processos com a participação desses advogados foram protocolados depois de os ministros serem empossados no STF.
Moraes ainda finge que está tudo normal, que nenhum juiz pode julgar caso em que parente seu esteja envolvido em uma das partes – ignorando que o mesmo Moraes não se considera suspeito para julgar casos em que ele próprio é a vítima!
Não se trata apenas de conflito de interesse ou mesmo promiscuidade. Nada explica, por exemplo, os R$ 129 milhões de contrato entre o Banco Master e o escritório da família de Alexandre de Moraes. Nenhum histórico jurídico permite normalizar um acordo de R$ 3,6 milhões mensais, sem qualquer taxa de sucesso, para Viviane de Barci, mulher de Moraes. Está claro se tratar de puro lobby mesmo, de corrupção, compra de influência.
Kakay, que ficou conhecido por publicar uma imagem de bermuda no STF, tem razão para lamentar. Ele desejava mostrar aos potenciais clientes seu grau de intimidade com os ministros, sua influência nos tribunais superiores. Mas como competir de bermuda com quem pode despachar de camisola? Uma coisa, afinal, é ser amigo dos ministros; outra, bem diferente, é ser cônjuge ou filho!
Moraes ainda finge que está tudo normal, que nenhum juiz pode julgar caso em que parente seu esteja envolvido em uma das partes – ignorando que o mesmo Moraes não se considera suspeito para julgar casos no STF em que ele próprio é a vítima! Ora, basta fazer o nepotismo cruzado: um ministro alivia para o filho do colega, que alivia para a esposa do colega. Ninguém solta a mão de ninguém…
Agora, duro mesmo é pensar que alguém como Kakay se sente traído. É como disse André Marsiglia: é duro viver num país em que Kakay se sente passado para trás…
Matéria: Gazeta do Povo





