Venezuela prende jornalistas durante posse de Delcy Rodríguez

Mais de dez jornalistas e membros da imprensa foram detidos nesta segunda-feira (5) pelo regime venezuelano durante a cobertura da sessão de instalação do novo período legislativo da Assembleia Nacional, em Caracas, segundo denúncia do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP).
De acordo com comunicado divulgado pelo SNTP na rede social X, o número de detidos chegou a 14 profissionais da imprensa ao longo do dia. Segundo a entidade, 11 são vinculados a meios e agências internacionais e um a veículo nacional. Quatro jornalistas foram liberados até o momento, enquanto dez seguem detidos, alguns em situação que o sindicato classificou como “desaparecimento forçado”.
Segundo o SNTP, as detenções ocorreram majoritariamente dentro da Assembleia Nacional e em suas imediações, durante a cobertura da cerimônia que marcou a posse de Delcy Rodríguez, que era vice do ditador Nicolás Maduro, como líder interina da Venezuela. Ainda conforme a entidade, os jornalistas foram impedidos de transmitir ao vivo, gravar vídeos ou registrar imagens do evento.
O sindicato relatou que ao menos três profissionais foram detidos por agentes da Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), tendo sido conduzidos a instalações da Guarda Nacional dentro do Palácio Legislativo e submetidos à revista de celulares. Segundo o comunicado, os agentes exigiram senhas de acesso e vasculharam fotos, mensagens, contatos, e-mails, redes sociais e arquivos armazenados na nuvem.
As detenções ocorrem em meio à transição política chavista após a captura do ditador Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no sábado (3), em uma operação conduzida por forças especiais dos Estados Unidos. Ambos começaram a ser julgados nesta segunda sob acusações relacionadas a narcotráfico, corrupção e violações de direitos humanos, segundo autoridades de Washington.
O SNTP afirmou que “não é possível avançar para uma transição democrática enquanto persistirem a perseguição política, a censura e a prisão arbitrária” na Venezuela. A entidade exige a libertação de 23 jornalistas e trabalhadores da imprensa atualmente detidos no país e o desbloqueio de mais de 60 veículos de comunicação que permanecem censurados.
Matéria: Gazeta do Povo





