Ouça nossa programação ao vivo 24h!

Clique aqui
Estados UnidosMundo

Crises econômicas e o efeito moral

Períodos prolongados de prosperidade econômica têm o efeito de induzir as pessoas, as empresas e os governos a um comportamento relaxado em termos de gastos e endividamento irresponsável. A prosperidade é uma espécie de conforto que fragiliza.

O comportamento relaxado, uma vez estabelecido, tem também o efeito de destruir os atos de prosperidade que o causaram, terminando por gerar uma crise que obriga à revisão dos excessos condenáveis.

Esse tipo de circunstância e suas crises acontece o tempo todo com países, empresas, famílias e pessoas isoladamente. Neste começo de 2026, no país mais poderoso do mundo, os Estados Unidos, o governo continua gastando mais do que arrecada, colhendo pesados déficits públicos e aumentando a dívida pública.

Um dos casos é a crise financeira mundial de 2008, que começou nos Estados Unidos quando a orgia de endividamento para consumo e compra de imóveis atingiu elevado nível e a sociedade norte-americana se viu sem condições de pagar as prestações mensais.

O comportamento relaxado, uma vez estabelecido, tem também o efeito de destruir os atos de prosperidade que o causaram

Ao lado do endividamento, houve também redução da poupança das famílias e estagnação dos salários médios, formando assim o repertório de problemas financeiros que levaram à inadimplência geral, quebradeira de bancos e forte desvalorização dos imóveis.

A onda de queda nos preços dos imóveis e a pressão nos orçamentos das famílias só podiam mesmo terminar em inadimplência geral das dívidas hipotecárias, que foram o motor da grave crise bancária que se espalhou pelo mundo.

Naquela crise, proliferou o debate se o governo deveria socorrer ou não os bancos quebrados. Os defensores da ajuda governamental diziam que não era para salvar banqueiros, mas para salvar a população que colocou suas poupanças nas instituições financeiras.

No debate nacional travado, os economistas levantaram a tese do efeito moral, que trata das condutas derivadas dos fatos e causas que as precedem. Um dos argumentos é que a ajuda a quem se comportou mal estimula o comportamento relaxado.

Os opositores da ajuda governamental argumentam que, se os ineficientes e irresponsáveis tiverem a certeza de que serão deixados para falir, a tendência é de que empresários, investidores e gestores sejam cuidadosos e zelosos em suas decisões e práticas administrativas.

Naquela crise financeira mundial, muitos foram os defensores da não ajuda governamental às instituições quebradas sob a justificativa de que no longo prazo o sistema econômico expurgaria as empresas, bancos e instituições ineficientes e irresponsáveis.  

Mas o que acabou vingando foi um enorme pacote de ajuda aprovado pelo presidente George W. Bush (cujo mandato terminou em janeiro de 2009) e continuado pelo presidente Barack Obama, sucessor de Bush.

A atitude de socorro imediato foi adotada pelos governos europeus, por entenderem que os estragos provocados por uma recessão profunda sobre a produção, o emprego e a renda seriam inaceitáveis do ponto de vista humanitário, além de significar suicídio político dos líderes nacionais.

Se os ineficientes e irresponsáveis tiverem a certeza de que serão deixados para falir, a tendência é de que empresários, investidores e gestores sejam cuidadosos

Esse tipo de situação é tratado pela teoria econômica no capítulo dos efeitos morais da ação humana e governamental, e leva esse nome porque se refere a comportamentos e escolhas humanas.

Vale lembrar que, para alguns filósofos, a moral se refere às condutas corretas, enquanto a ética é a ciência que estuda por que tais condutas são consideradas corretas. Vem daí a teoria do efeito moral no âmbito da ciência econômica.

Sempre que um banco vem à falência, esse tema volta ao palco das discussões, como ocorre agora no Brasil. Alguns estudiosos afirmam que, quando uma atividade está subordinada a autorização e fiscalização pelo poder público, o indivíduo é terceiro de boa fé e a derrocada de uma instituição do setor é responsabilidade do governo.

Toda crise é oportunidade para examinar onde o sistema falhou, que leis não funcionaram e que mudanças devem ser empreendidas com o fim de evitar crises e limitar os riscos da população que, de boa fé, coloca seu dinheiro nessas instituições.

Matéria: Gazeta do Povo

Mostrar mais

Gabriel de Melo

Criador, fundador e locutor da Rádio Esperança e também do Blog Palavra de Esperança, tem como objetivo divulgar o evangelho de Cristo par outras pessoas através da Internet por meio dos louvores e da palavra de Deus nas mídias sociais.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo